Os pais são passíveis de erros

Meu pai não era um homem sem falhas, fragilidades e erros, mas foi sempre um verdadeiro pai. Pela graça de Deus, eu tive um pai de verdade. Coloco, aqui, toda a força da palavra “verdadeiro”. Papai era pedreiro, viveu uma vida muito dura desde menino. Fomos sempre pobres. Passamos por muitas dificuldades, não só financeiras. Muito do que sou e faço, e até mesmo o meu jeito de ser, eu o devo a meu pai.

Sei que muitas pessoas podem dizer a mesma coisa que eu. Tiveram um verdadeiro pai. Certamente, você é uma dessas pessoas. Então, podemos dizer juntos: ter pai é bom demais!

Preciso, porém, ser realista e admitir que nem todos tiveram a mesma experiência. Muitos sofreram duramente com o próprio pai, muitos carregam graves feridas no coração por causa de seus progenitores, outros nem mesmo o conheceram. Tudo isso é muito sofrido e atinge algo essencial em nossa vida: a necessidade de ter um pai, um verdadeiro pai. Mas nenhum progenitor é perfeito e não podemos nutrir essa ilusão.

Todo pai é humano, por isso é falho, frágil e comete erros. Alguns cometem grandes erros, mas é inegável: todos precisamos ter um verdadeiro pai.

Por que nem todos têm essa feliz experiência paterna? De olhos abertos para a realidade, sou obrigado a dizer que o mundo atual, que hoje tem sido regido por aquele que Jesus chamou de “o príncipe deste mundo” [maligno], tem roubado de muitos homens o maravilhoso dom da paternidade.

Todo homem chamado a ser pai traz em si o dom da paternidade e esse dom vem diretamente de Deus, o Pai por excelência. O príncipe deste mundo, porém, manipulando as realidades daquilo que Jesus chamou também de “o mundo”, agride violentamente o dom da paternidade do qual todo pai é portador. Ou ele o sufoca e não o deixa vir à tona ou o arranca com violência e o rouba. Essa é a infeliz realidade com a qual nos defrontamos hoje. Daí, tantas vítimas e todas as consequências que disso decorrem.

Preciso, porém, lhe dizer: esses pais acabaram sendo mais vítimas do que culpados. Eles precisam da misericórdia de Deus, necessitam também da nossa misericórdia e do nosso perdão. Sei que não é fácil, especialmente para quem foi muito machucado por seu pai e, talvez, continue ainda sofrendo com ele. Mas não podemos negar, esse é o remédio; dolorido, mas o único e grande remédio, pois todos nós queremos a transformação de nosso pai e, acima de tudo, a sua salvação eterna.

Queira perdoar e envolver de misericórdia seu pai. A chave está no querer, porque o Senhor é o primeiro interessado em lhe dar essa graça. O grande beneficiado será você mesmo. Portanto, não se fixe nos seus sentimentos; queira e deixe o Senhor agir. Veja bem: não é sentir, é querer… e o Senhor agirá!

Essa é a grande chance para você nesse tempo: receber a graça de um coração novo e celebrar de maneira totalmente diferente o Dia dos Pais.

Ter pai é bom demais!

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

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