Só competência não basta para segurar o emprego

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Foi-se o tempo em que competência era fator crucial para se manter bem empregado

Como definir um profissional de sucesso? Pelo cargo que possui ou pelo salário e currículo recheado de qualificações? Com a educação mais acessível e a chance de buscar novos conhecimentos, o que difere o indivíduo no ambiente de trabalho é a capacidade de relacionar-se. Foi-se o tempo em que competência era fator crucial para se manter bem empregado. A habilidade de conviver com opiniões divergentes pode ser um motivo para se destacar no mundo corporativo.

Dominar de dois a três idiomas, ser comunicativo, ter no currículo variados cursos de pós-graduação, MBA ajuda a conseguir uma vaga em determinadas empresas. A contratação nem sempre é a parte mais difícil, mas se conservar empregado pode ser o elemento de maior complexidade do processo. O caráter, as relações interpessoais com clientes, chefes e subordinados são levados em conta, e podem destruir os sonhos se estes não forem conduzidos com atenção.

Nos últimos meses, deparei-me com três situações que me chamaram à atenção. Pessoas próximas a mim, na faixa de 30 a 40 anos, com uma formação completa e experiências internacionais foram dispensadas das empresas nas quais trabalhavam por não saber conviver de maneira harmoniosa com o grupo. De áreas opostas, um do ramo da indústria química, outro de finanças e o último da comunicação; porém, todos com o mesmo problema: dificuldade de lidar com o outro. Independente da profissão que se escolhe, a pressão e a falta de afinidade são comuns nas organizações; caberá aos colaboradores gerir esses obstáculos para não colocar uma brilhante carreira a perder.

A intolerância, a insubordinação, o ciúmes, a ganância são geradores de conflitos que nascem em pequenas situações e tornam-se grandes empecilhos para a produtividade. Trata-se de um incômodo que paralisa e impede a concentração nas tarefas diárias, segundo os depoimentos que ouvi. Na maioria das vezes, espera-se do outro a reação que nós teríamos; nessa expectativa, nasce a frustração. Esquecemos que somos diferentes, que as referências de cada um foram formadas em processos distantes contribuindo para o que nos tornamos hoje. Um erro corriqueiro é deduzir, achar, em vez de questionar e saber realmente o que de fato está provocando todo o desgaste. Não deixe que as dúvidas e o silêncio consumam suas forças que poderiam ser usadas para um crescimento intelectual. Dê o primeiro passo e tente resolver a desordem que esteja causando indisposições.

Não existe uma fórmula correta para vencer essas tribulações. Cada situação exige de nós uma reação diversa e atitudes, muitas vezes, impensadas. Precisamos reagir como cristãos, tendo a obrigação de buscar a verdade e ser honestos com nós mesmos, reconhecendo pontos falhos e tentando dar o nosso melhor na adversidade. Não abrindo espaço para fofocas, mau-humor e desentendimentos. A humildade pode ser sim a chave de um sucesso constante.

Por Ioná Piva – Portal cancaonova.com

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