Quando sabemos quem somos, não podemos nos abalar quando dizem o que não somos.

“Quando o rei chegou a Baurim, apareceu um homem da família da casa de Saul, chamado Semei, filho de Gera, o qual ia proferindo maldições enquanto andava. Atirava pedras contra o rei Davi e contra todos os seus servos, embora todo o exército e todos os guerreiros valentes se encontrassem à direita e à esquerda do rei. E o amaldiçoava, dizendo: Vai-te, vai-te embora, homem sanguinário e celerado. O Senhor faz cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste; o Senhor entregou o reino ao teu filho Absalão. Eis-te oprimido de males, homem sanguinário que és! Então Abisai, filho de Sarvia, disse ao rei: Por que insulta esse cão morto ao rei, meu senhor? Deixa-me passar, vou cortar-lhe a cabeça. Que nos importa, filho de Sarvia?, respondeu Davi. Deixa-o amaldiçoar. Se o Senhor lhe ordenou que me amaldiçoasse, quem poderia dizer-lhe: por que fazes isso? E Davi disse a Abisai e à sua gente: Vede: se meu filho, fruto de minhas entranhas, conspira contra a minha vida, quanto mais agora esse benjaminita? Deixai-o amaldiçoar, se o Senhor lho ordenou. Talvez o Senhor considere a minha aflição e me dê agora bens por esses ultrajes“. 2 Samuel 16, 5-12

A vida é e sempre será regida por escolhas. A cena narrada acima, nos mostra a postura de dois homens (Davi e Absai) diante de insultos promovidos por um terceiro, aqui, descrito por Semei, que via em Davi alguém que usurpou o reino de Israel. Davi sabia, Absai sabia e nós sabemos, que o tal Semei estava equivocado. Saul perdeu o trono por desobedecer a Deus, que por isso, escolheu Davi. Ora, Davi reage aos insultos de Semei em silêncio. Sofrendo, mas em silêncio. Absai reage aos insultos de Semei, pedindo a Davi: “Deixa-me passar, vou cortar-lhe a cabeça”. Ao que Davi lhe responde, dizendo: “Deixai-o amaldiçoar, se o Senhor lho ordenou. Talvez o Senhor considere a minha aflição e me dê agora bens por esses ultrajes”.

O equilíbrio emocional de Davi, diante de alguém que lançava sobre ele maldições, insultos e inverdades, residia no fato da convicção que ele tinha na legitimidade de seu reinado e pronto. Davi tinha autoconhecimento. Poderia ser até legítimo, agir como queria Absai, arrancado a cabeça de Semei, eliminando alguém que se manifestava de forma injusta diante do rei; mas tornar-se-ia Davi igual ou pior que Semei. A demonstração de superioridade de Davi, não foi intervindo contra Semei e sim, pela convicção que tinha de quem ele era.

Quando sabemos quem somos, não podemos nos abalar quando dizem o que não somos. O nome disso? Inteligência emocional.

Edson Oliveira

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