Inteligência Espiritual: a capacidade de transcender a um mal que nos afeta.

Quando Jesus inicia Sua vida pública, não poucas vezes são citados alguns comportamentos das pessoas, como este descrito pelo evangelista Marcos: “E todos os que sofriam de alguma enfermidade, lançavam-se sobre Ele para tocar-Lo”. Mc 3, 10. Longe de tratar estas pessoas como fanáticas, é preciso observar que medicina e religião, de alguma forma sempre foram ligadas, pois as diversas culturas sempre tiveram a presença de um líder espiritual, um sacerdote… possivelmente pela capacidade de escuta e atenção desses líderes, as pessoas de alguma forma tinham neles além de um profissional, uma presença de conforto, quer pelo ofício exercido, pelas palavras de consolo ou ainda pelo simples fato de escutá-las. Tal comportamento, de alguma forma se rompe a partir do Iluminismo (Movimento que valorizava a razão em detrimento da fé). Mas tal rompimento não se perpetua, sobretudo por conta da necessidade que o ser humano tem de repostas e de sentido. Profissionais de saúde, especialmente médicos, se deparam cotidianamente com perguntas do tipo: “O que fiz de errado para estar passando por isso?” “Por que logo comigo?” “Logo agora, isso me aconteceu, por que?” É neste momento que o profissional de saúde precisa ter a capacidade de ouvir e entender esse “universo” vazio e carente de respostas em que se encontra seu paciente e assim, ser capaz de lembrá-lo do valor da espiritualidade e como ela pode ajudá-lo nesse momento. Na outra ponta, pessoas com espiritualidade – institucionalizada ou não – pois espiritualidade não exclui religião, mas a ela não se limita, conseguem “transcender”, superar, tornam-se superiores ao mal que as afeta.

A maturidade espiritual ou inteligência espiritual consiste em tocar na transitoriedade das coisas, naquilo que é momentâneo, temporário, passageiro. A enfermidade sofrida, acompanhada de dores físicas e emocionais, as perdas de entes queridos e mesmo as limitações do corpo, bem como o impedimento de prazeres como saborear alimentos ou viajar e tantos outros, quando vividos por alguém inteligente espiritualmente, ganha sentido porque a pessoa toca no que é transitório; o que não a permite olhar para trás, mas para frente. E mesmo sem saber o que de fato a espera, seu caminhar vai se tornando cada vez mais leve e livre de pesos e preocupações que antes lhe consumiam. Neste sentido, fica mais fácil compreender porque as pessoas do evangelho de Marcos citadas no início do texto se “lançavam sobre Jesus”. Ele lhes era mais que um “curador”; estava lhes dando sentido para viver, diferentemente dos fariseus e dos romanos que lhes tinham tirado tudo, até mesmo a alegria de viver.

Edson Oliveira

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