O obstinado de Nazaré

“Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento. Quando os seus o souberam, saíram para O reter; pois diziam: ‘Ele está fora de si'”. Mc 3, 20-21

Dentre tantos títulos recebidos por Jesus, um deles está implícito quando o evangelista Marcos conta que as pessoas diziam que “Ele estava fora de si”, o mesmo que “enlouqueceu”. Não sem motivo, pois como citado, Ele abria mão de se alimentar, para atender o povo que a Ele se dirigia. Aqui cabe bem o título de obstinado. Sim, podemos dizer que Jesus era o obstinado de Nazaré.

A palavra obstinado significa persistência, constância, firmeza. Uma pessoa obstinada sabe o que quer, é insistente, tem objetivos claros e não desiste de alcançá-los; por isso, abre mão de muita coisa, por seu objetivo. Evidentemente, alguém pode ser obstinado em sentido negativo, enveredando-se por caminhos e desejos perigosos. A história da humanidade está repleta de exemplos de pessoas obstinadas para o mal e para o bem. E diante desta “nuvem de testemunhas”, cabe-nos olhar para os grandes homens e mulheres da história, que trilharam o caminho da obstinação e por isso, foram transformados e transformadores, não simplesmente pelos seus feitos, mas por aquilo foram.

A obstinação consiste em abrir mão da normalidade da sociedade, com a disposição para ser julgado anormal. Sem essa disposição, o mundo permanecerá repleto de “normais” e gente normal não é obstinada – e sem obstinação não acontece transformação. Basta olhar o que fez Jesus. Por sua obstinação e “anormalidade”, transformou pessoas, transformou a história.

Edson Oliveira

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